
É isso mesmo, quando o árbitro apitou para o final do jogo, aquilo que ficou foi um sabor amargo. Porque todos nós (os 63 mil no Estádio, e mais uns largos milhões em suas casas espalhados pelo Mundo) sentimos que ontem era um bom dia para levar de vencida a Equipa que esteve em “apenas” 3 das últimas 4 finais da Liga dos Campeões. Coisa pouca…
Um grande ambiente, colorido com as cartolinas vermelhas e brancas colocadas estrategicamente nas bancadas, adeptos confiantes (falo por mim) e com a equipa (perdoando muitas vezes com aplausos erros infantis, em vez de, como em muitas ocasiões, com assobios – não devia ser sempre assim?)

Foi apenas a segunda vez que o Benfica não perdeu com o gigante inglês em toda a história, o que não é nada mau. Foi um Benfica crescido, concentrado, e um United bastante contido. Estranhamente contido, quanto a mim. Sinal de respeito? Hope so! Podia ter sido mais o United, claro, mas não é só culpa sua. É culpa de um calendário competitivo que o vai obrigar a jogar no próximo fim-de-semana uma partida muito importante para o Campeonato Inglês, com o Chelsea. E por isso mesmo alguma da artilharia pesada ficou no banco, casos de Nani, Anderson e Chicharrito. A juntar às ausências forçadas (por lesão) de Ferdinand e Vidic.
O Benfica, por sua vez, apresentou o seu onze tradicional, apenas com uma alteração. Ruben Amorim no lugar de Nolito, talvez para dar um pouco mais de consistência ao meio campo. E não se saiu nada mal o único português em campo (uma vez mais, como já tive oportunidade de referir, não me choca … é sinal dos tempos)
O primeiro remate foi do Unite! (como diz repetidamente o JJ :)). Mas depressa o Benfica assumiu as despesas do jogo (sempre quis dizer isto), sobretudo pelo irrequieto Gaitán. Aos 15m rematou de longe, a bola passou por cima da trave, três minutos mais tarde chutou ao lado.
Até que aos 24 min Gaitan descobriu um atalho. Cá de trás, pouco depois da linha de meio campo, um grande passe de trivela do argentino fez a bola atravessar linhas e chegar a Cardozo. O paraguaio domina em rotação, sob pressão de Evans, e remata de pé direito (andamos a treinar??) para bater o desconhecido (pelo menos, para mim) Lindegaard. Um grande, grande golo, mas sobretudo um passe magistral de Gaitan. Não é por acaso que nos festejos o Oscar aponta repetidamente para o argentino, como que a dizer “foi culpa dele” :)
Não sabia, mas foi o primeiro golo sofrido pelo Unite (!!!) em seis jogos na Liga dos Campeões, só para deixar uma ideia…

O mais difícil estava feito. Agora era partir para a goleada! :)
Do banco, Jesus dava indicações para que a equipa mantivesse a concentração. O Benfica precisava de mais do mesmo, esse equilíbrio tão difícil de manter. Tentou, tentou segurar o Manchester antes que a coisa se complicasse. E continuou a tentar chegar à área. Ganhou mais três cantos (o United só teve o primeiro ao cair do pano da primeira parte).
Mas depois, um balde de água fria. Quando a coisa parecia controlada, Giggs resolve meter o turbo, ele que, com a idade, apurou a qualidade que já todos conhecemos. Agora, junta-lhe maior capacidade de gerir o esforço, correr só quando é necessário. Aos 42 minutos, a cruzamento de Valência, ganha a bola, flecte para o meio e remata forte. 1-1, um excelente golo também (como reconheceu JJ).
Chega o intervalo, as estatísticas davam 62 por cento de posse de bola aos ingleses, contra 38 do Benfica. Mas como disse o JJ no final, a maior parte do tempo de posse de bola dos ingleses foi em sucessivas trocas na sua defesa, ou seja, não causava real perigo.
No regresso, o jogo voltou bastante mais partido, já se notava algum cansaço. Era preciso mudar e Jesus foi o primeiro a mexer: fez entrar Nolito, para o lugar de Ruben Amorim.
Aos 64m, o pé de Artur evitou no limite o segundo golo do Manchester, o segundo de Giggs.
O Benfica respondeu de imediato. Aimar já acusava o desgaste (não esteve numa noite particularmente inspirada), mas ainda teve uma bela jogada. Uma combinação com Gaitan em que a bola sobrou para Cardozo, que chutou forte, para defesa de Lindegaard.
Foi a vez de Ferguson reagir. E com (alguma) artilharia pesada. De uma penada, fez entrar Nani e Chicharito. Na Luz ouviram-se muitos assobios para Nani. Não gostei. Qual a necessidade? Sinceramente não percebo. É um jogador português, que me lembre nunca teve declarações ofensivas para com o Benfica, joga pela Selecção, quase sempre bem. Porquê? É porque foi do Sporting? Se é isso, é uma parvoíce. Imaginem que íam trabalhar para fora da Portugal, e nessa empresa até trabalhavam bastantes portugueses. Aposto que não ficariam nada satisfeitos se no primeiro dia de trabalho, assim que entrassem na sala, todos os portugueses que lá se encontravam desatavam aos assobios e com vaias monumentais…
É uma tristeza ver adeptos assim.
Faltavam pouco mais de 20 minutos para o final. Ferguson ainda fez entrar também Phil Jones, no Benfica Jesus tirou Aimar e colocou em campo a torre Matic.
O Manchester United bem que tentou, mas não conseguiu. A equipa parecia bem menos capaz do que o fora antes das substituições.
O Benfica resistiu, e conseguiu. Até podia ter conseguido algo mais em duas jogadas de Nolito. Ficou assim. Nada decidido, nada em causa, mas ficou um sabor amargo.
Melhores exibições: Luisão (secou completamente o Rooney), Maxi, Javi, Gáitan e Cardozo.
Do lado inglês: Giggs e o guarda-redes Lindegaard (dei uma espreitadela no site do Man United e numa votação para eleger o melhor em campo, este senhor foi o mais votado pelos adeptos ingleses. Acho que isto diz tudo)

Vemos-nos domingo? :)