Será feita mais tarde a análise do jogo de ontem na Madeira, de quem o viveu por dentro, e por este motivo muito mais emotiva.
Vi um início de jogo muito interessante com a entrada do Nacional, que deixou todos admirados, e uma boa reação do Benfica, com a respetiva remontada (como diriam o espanhóis) aos 7 e 19 minutos, por Salvio e Jonas.
Continuo a achar que a equipa está desequilibrada, pois em momentos do jogo parece que só há defesa e ataque. Já se percebeu que o JJ não dispensa o Talisca, mas não sabe muito bem onde o colocar. Nunca mais aparece um médio defensivo, com as lesões de Fejsa e Amorim e falta de adaptação de Samaris e Cristante, obrigando o Enzo a recuar. Neste jogo foi bem evidente e as substituições demonstram isso com as entradas de Samaris (Lima), Derley (Talisca) e Pizzi (Jonas), com reforço claro do meio-campo. O Benfica não teve oportunidades flagrantes, mas o Nacional também não.
Deixo aqui uma análise exaustiva, mas que me parece imparcial do jogo de ontem.
Nacional 1 – Benfica 2: Reviravolta abre caminho à liderança
Nacional 1 – Benfica 2: Reviravolta abre caminho à liderança
O Nacional entrou forte e marcou logo no primeiro minuto, Salvio e Jonas operaram reviravolta no marcador.
Jonas foi decisivo na definição do marcador (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
As deslocações à Madeira, traduzem-se em jogos de elevada exigência. Em cinco partidas em casa, o Nacional apontou outros tantos golos e apenas sofreu dois. O Benfica procurava recuperar o primeiro lugar depois de o Vitória de Guimarães ter derrotado o Arouca e ascendido, à condição, ao topo da tabela classificativa.
A equipa orientada por Manuel Machado entrou com uma grande intensidade na partida e, logo no primeiro minuto do jogo, Edgar Abreu inaugurou o marcador. O 4x2x3x1 dos madeirenses prevaleceu sobre o habitual 4x1x3x2 do Benfica. O Nacional aproveitou a falta de estabilidade defensiva dos “encarnados” e chegou primeiro ao golo.
Sem Samaris no “onze” titular, Jorge Jesus decidiu apostar em Enzo na posição “6”, ou “4” como lhe chama Jorge Jesus, e em Talisca para apoiar a dupla composta por Lima e Jonas. O Benfica entrou assim, sem a sua grande referência de estabilidade dos processos defensivos, embora ainda numa fase de crescimento e assimilação de ideias.
A formação madeirense soube explorar a falta de entrosamento entre o quarteto defensivo e o meio-campo dos “encarnados” e sem oposição à entrada da área, Edgar Abreu fez o 1-0. O Benfica reagiu e, passados seis minutos, igualou o resultado por intermédio de Salvio. Na sequência de um cruzamento da esquerda de Gaitán, o extremo argentino de cabeça fez o 1-1.
O golo levou a que o Benfica entrasse novamente na disputa do resultado, crescendo animicamente, apresentando o seu melhor futebol durante toda a partida. Aos 19 minutos, após a marcação de um canto, Jonas virou o resultado.
Durante os primeiros 45 minutos, o Nacional tentou explorar as faixas laterais e o espaço entre o sector defensivo e intermédio do Benfica face à ausência de rotinas de Enzo e Talisca em momentos de organização defensiva. Marco Matias criou dificuldades a Maxi. Suk e Rondón trocavam muitas vezes de posição o que complicou a marcação dos centrais e André Almeida.
O Benfica, através do seu ataque posicional, desequilibrava com a descida de Jonas no terreno para organizar o jogo. Enzo foi obrigado a pegar na batuta muito atrás e quando conduzia a bola para terrenos mais adiantados descompensava defensivamente a equipa. Talisca sentiu dificuldades para se impor na luta a meio-campo, com os jogadores do Nacional a ganharem vantagem. Salvio foi a unidade mais irreverente do ataque “encarnado”. O extremo argentino e Maxi foram responsáveis por 46,1% dos ataques do Benfica no primeiro tempo.
A primeira parte ditou uma superioridade do Nacional em termos de agressividade com 53,3% dos duelos ganhos contra 46,7% do Benfica. O conjunto lisboeta apresentou 60,9% de posse de bola e 82,4% de eficácia de passes. A partir do golo de Jonas, o Benfica limitou-se a gerir o resultado, não criando mais oportunidades de golo até ao apito para os balneários.
A qualidade individual de Salvio e Jonas fez a diferença ao intervalo, permitindo aos “encarnados” descansarem sobre a vantagem.
Segurança
Na segunda parte, o Benfica entrou a controlar a partida, não concedendo mais espaços na sua zona defensiva e afastando os madeirenses da zona de decisão.
Manuel Machado e Jorge Jesus decidiram mexer ao mesmo tempo, 56 minutos, trazendo a jogo João Camacho e Samaris. Edgar Abreu e Lima foram os sacrificados. Duas alterações com objectivos bem distintos. Do lado do Nacional, a entrada do extremo português, teve como intuito mexer com o jogo e apostar mais em iniciativas individuais, pelo corredor direito, com André Almeida a enfrentar muitas vezes situações de inferioridade numérica, com João Aurélio e João Camacho.
O Nacional desdobrou-se em 4x4x2 e isso foi notório a partir dos 61 e 71 minutos com as entradas de Lucas João e Willyan para os lugares de Suk e Miguel Rodrigues.
Talisca subiu no terreno para ocupar a posição onde tem rendido mais mas acabou por sair aos 75 minutos sem grande notoriedade. Samaris entrou para acalmar o ritmo de jogo e soltar Enzo para as missões ofensivas. O médio grego ficou logo condicionado pelo cartão amarelo que viu aos 59 minutos.
O Benfica tentou resistir ao assalto final do Nacional com grandes dificuldades. Gaitán teve nos pés uma oportunidade para fazer o 3-1 mas permitiu a defesa de Rui Silva. Nos últimos 20 minutos da partida, o Nacional cresceu e inverteu a tendência do jogo, chegando a estar mais próximo do golo do empate do que o Benfica de dilatar a vantagem. Aos 85 minutos, Jorge Jesus tirou Jonas e colocou Pizzi para travar as investidas no corredor central. Jonas voltou a protagonizar uma exibição de bom nível.
Mario Rondón esteve em destaque com dois passes para ocasião. O avançado do Nacional fez com que Luisão e Jardel tivessem uma tarefa espinhosa para susterem as suas acções. Marco Matias, com três cruzamentos com sucesso, e Edgar Abreu com 100% de eficácia nos passes, foram outras das melhores figuras do Nacional. Em termos defensivos, Fofana ganhou 80% dos duelos disputados.
Do lado do Benfica, nota para a exibição de Enzo Pérez, contrapondo com a falta de acerto dos restantes jogadores. O médio argentino completou 45 passes com 88,9% de eficácia. Jonas criou três oportunidades de golo e Gaitán foi o elemento mais rematador da equipa “encarnada”, com quatro disparos. Defensivamente, Luisão foi a figura de maior relevo, vencendo 62,5% dos duelos disputados.
O Benfica sentiu muitas dificuldades na Choupana, frente a um Nacional agressivo e com vontade de amealhar pontos na recepção aos campeões nacionais. A equipa de Jorge Jesus terminou o jogo com 54,3% de posse de bola, 72,2% de eficácia de passes e apenas 45% duelos ganhos, contra 55% do Nacional e 67,7% de eficácia de passes da equipa madeirense.
Fonte: GoalPoint
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